19 de janeiro de 2013

Pit Stop

Confissão: para uma pessoa fisicamente ativa, ficar deitada e sem se exercitar por conta da recuperação de uma cirurgia é o inferno na Terra.

Como é o repouso e a sensação do imediato pós-cirúrgico dos seios? Um saco. A última vez que eu fiquei quatro dias sem sair de casa foi nas férias de meio de ano de 2005, porque logo depois eu comecei a passar os meses de inatividade acadêmica em Salvador por conta do meu namoro com Jana, que é de lá. Depois da transiçao, nunca passei mais do que um dia sem sair de casa. E desde 2006 que, enquanto no Rio, só fiquei fora da academia mais do que três dias em duas ocasiões: quando rompi o bíceps direito e quando fiz a cirurgia facial. Quinze dias no primeiro evento, trinta no segundo. Agora vou ter de ficar quarenta e cinco longos ciclos de dia e noite sem me exercitar.

Contextualizando, minha prótese foi colocada entre o músculo e o osso e a incisão foi abaixo dos seios. Essa combinação gera o mais longo processo de recuperação das alternativas existentes. Segundo meu cirurgião, o melhor resultado estético também.

Bom, descrevamos sensações para que o post seja informativo, e não, digamos, puramente "reclamativo". Nos primeiros três dias, levantar-se da cama ou deitar-se de forma autônoma é utopia: alguém precisa apoiar suas costas em ambos os eventos para que você não use o músculo peitoral, o que causa dor extrema nesse inicio tenro. Ir ao banheiro é complicado neste mesmo período pois abaixar e levantar as roupas também requer auxilio. Meu corpo também ficou bastante inchado pelo acumulo de líquidos e fezes - defecar só foi ocorrer no quarto dia após a cirurgia por conta da morfina que tomei enquanto no hospital. E a viagem de táxi do hospital para o apartamento onde eu estava, menos de 24 horas depois da operação, foi dolorosa mesmo eu estando deitada no banco de trás. Qualquer movimento brusco sacode as próteses nesse período - e dói.

Dai pra frente as coisas começam a ficar mais simples. Estou no sétimo dia e só preciso de ajuda para tomar banho e prender o cabelo, coisas que não vou poder fazer enquanto não puder erguer os braços de forma despreocupada. Já consigo, no entanto, erguê-los até a altura do ombro. Não o faço com constância, no entanto, por medo de prejudicar o resultado estético do procedimento. Os seios me parecem ainda um pouco assimétricos, mas lendo e me informando pela internet sobre este procedimento, já entendi que isso é normal nas primeiras semanas, até meses, depois do implante. Aliais, há uma diferença da sensação física também. Enquanto o seio esquerdo não apresenta qualquer dor - inclusive eu sinto gases e líquidos correndo pelo seu entorno em um processo de adaptação física e química do corpo à presença do silicone - o direito me parece ainda fortemente pressionado pelo músculo ao ponto da dor quando eu fico mais de vinte minutos de pé. Sua adequação parece inerte também: nenhum dos movimentos internos do outro seio acontecem nesse por enquanto.

E assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade. Não sou idiota a ponto de odiar o mundo, eu tenho plena ciência da minha situação favorecida. Não preciso me preocupar com retorno ao trabalho, não preciso cuidar de nada na casa e ainda tenho um PC de ponta para me distrair por esse período. Fora que, convenhamos, o simples motivo da recuperação já é infinita fonte de alegria e satisfação, a última alteração física que sempre julguei necessária para completar a imagem de uma mulher atraente acabou de ser efetuada. Sou profundamente agradecida por tudo isso, não se enganem.

Mas eu quero fazer uma porra d'um Leg Press. Socorro.