17 de janeiro de 2013

Gabrielle Ludwig

Na ESPN da Califórnia, se você escarneia uma transexual, você sai do ar.




Os dois rapazes punidos chamaram ela de "isso" e afirmaram, sem grandes rodeios, que transexuais não devem participar de competições esportivas.

Primeiro eu quero parabenizar a ESPN pela atitude e a Terra pela publicação aparentemente livre de preconceitos. O incidente, no entanto, clama discussão. Eu não seria a favor, por exemplo, de uma trans não-operada como eu participar de uma liga feminina. Ter testículos é como tomar doses pesadas de esteroides quando se compara o meu organismo ao de uma mulher genética. No entanto, se por algum motivo eu quisesse fazer parte da liga masculina - provar a capacidade das trans, talvez? - ainda não me apresentaram argumento impeditivo.

Só que a jogadora é operada, e não fabrica nada perto da minha quantidade de T. Aliais, até onde meus parcos conhecimentos biológicos alcançam, ela fabrica menos que uma cismulher (corrijam-me se estiver enganada, por favor). Então? Bom, pode ser afirmado que os hormônios antes da transição já lhe conferiram confiável capacidade física. Ela é visivelmente maior e mais forte que 99% das meninas no mundo. Mas isso não seria perigosamente próximo de, sei lá, retirar os negros das provas ao ar livre por possuírem derme mais resistente aos danos solares?

Pensai. Nada justifica a agressão pública verbal, no entanto. O que pesou mais para a suspensão dos radialistas sem dúvida não foi exatamente o que disseram, mas sim, como o disseram.

Beijo,
Mayra