12 de dezembro de 2012

Licença Poética

Eu sou caseira. Quando estou na rua, tenho preguiça de tirar fotos. Quando tiro, tenho vergonha de fazer pose. Quando faço, não tenho paciência de tirar várias fotos até ficar boa. Mesmo em casa, não sou de me arrumar muito. Ou deveria dizer "ainda mais em casa"? E a casa, em si, arrumo menos ainda - afinal, não é minha e, consequentemente, não posso opinar muito em sua aparência.

Mas por quê isso tudo? Por estar prestes a mostrar fotos desarrumadas em uma casa desarrumada.

No fim das contas, obviamente, são desculpas. O objetivo da foto, no português mais medíocre possível, é me mostrar. Afinal, toda mulher gosta de se mostrar. As trans, que passam tantos anos sem querer exibir sua imagem, ainda mais. Lembram do papo de autoginecofilia, que abordei meses atras? Não? Esse termo denota o prazer, sexual e de outros tipos, mesmo de autorrealização, de se ver como mulher, no corpo de uma mulher - algo comum a muitas trans. Isso geralmente termina em fotos de lingerie, seminuas, etc... e eu faço um esforço enorme para não enveredar para esse lado. Isso é uma vontade quase natural, mas eu sei das repercussões negativas.

Enfim, mais desculpas. Dane-se. Eu ponho as fotos pois quero. Pois tenho orgulho de como fiquei, felicidade do lugar que cheguei e, portanto, como na licença poética, me permito utilizar de um meio esdrúxulo para transmitir um conteúdo de valor. Valor pessoal, digo. E como observação semi-insignificante: não, meu cabelo não está curto. Eu o deixei fora da imagem porque não objetivava mostrá-lo. Impressionante como o ser humano tem capacidade de racionalizar - e desviar o foco - quando o assunto é algo que de certa forma o envergonha, não?

Sem MAIS delongas...







Não vou ser falsa e dizer "uhuulll eu estava fazendo isso aqui de forma completamente inocente, resolvi tirar uma foto de forma totalmente despropositada e fiz até carinha fofa - sem querer. Totalmente espontâneo!" Mentira. Foi um total de dez fotos para conseguir essas que considerasse satisfatórias, um total de vinte minutos gastos entre o tirar de porta retratos do quarto - em respeito aos outros membros da família, assim como à sua noção de estética para um quarto - e o capturar das imagens em si, e aquele short foi post com o propósito de desenhar o corpo, pois sempre uso a parte de baixo mais solta. Por motivos óbvios de conforto. Tudo com o objetivo claro de postar no blog. E assim, também, me livrar da necessidade visceral feminina de tirar fotos enquanto estiver na rua, me dando maior liberdade para curtir meus momentos.

Mas espere, tem mais! Quando se chega a certo nível de egocentrismo, até a matemática a pessoa deseja que confirme suas suspeitas a respeito de sua aparência. Afinal, a visão de si próprio é a coisa mais distorcível da psicologia humana, então números ajudam, certo? Por isso tirei semana passada minhas medidas corporais pela primeira vez. Três delas, na verdade. 89 de busto (ou, mais apropriadamente, de caixa toráxica... porque "busto" em si só em janeiro), 72 de cintura, 96 de glúteos.

...


...pois não fazia a menor ideia do que essa medição ia me apresentar.

Se não conheces esse meme, veja aqui: 



Se não sabes o que é um "meme", pule da janela mais próxima. Não, mentira. Leia o artigo da wikipedia.

Meu humor sendo mais flutuante que os restos digeridos de uma refeição, melhor eu postar tudo isso logo antes que me arrependa. Enquanto isso, com licença, vou ali na minha page do Facebook masturbar o F5 esperando likes e comentários no post.

...tenho que parar com esse nível de sinceridade.

Ah! Quase esqueci. Estou concorrendo a um tipo de votação de fitness na SmartFit, a rede de academias que frequento, neste link. Se quiseres votar em mim prometo não ficar triste, ok?

Beijos,
Mayra