1 de junho de 2014

Campos do Jordão

Parra esse meu último aniversário dia 17 de maio, eu e Gaby decidimos por uma viagem, ao invés de uma festa, como forma de comemoração. Eu nunca tinha viajado sem alguém planejando e cuidando de tudo, e nunca fui social nem tive amigos o suficiente para montar eventos festivos. Foi a melhor solução, e resultou em um final de semana maravilhoso.
Essa foi na verdade a última  foto tirada, mas essa é o portão de entrada da cidade.
Alugamos um carro na Unidas, reservado previamente para sexta feira às 16 horas. Como eu trabalho em casa, comecei quase de madrugada para poder sair mais cedo e chegar na cidade mais cedo. Afinal, são pelo menos 5 horas de estrada até lá.  Alugar carro é um troço chato por causa de um depósito de segurança que você tem que deixar - uma cobrança no cartão de crédito geralmente superior a 1000 reais - que é estornado quando você devolve o veículo. Mas vamos combinar que comer isso tudo do limite do cartão, reduz suas opções de gasto? A viagem foi tranquila. Dirigir durante o total de seis horas e meia que foi é meio complicado, e o sono me atacou após as 23 horas, mas estamos vivas para contar a história. Porpouco-xiudeixapralá.

A pousada que escolhemos foi indicação de uma amiga do Facebook. Eu nunca havia falado com ela, na verdade, mas vi que ela tinha dado like na Page de Campos do Jordão. Veja só. O site afirmava ela ser gay friendly e aceitar animais, tendo várias fontinhas no site com cachorros. Concluí logo que os donos não podiam ser pessoas muito de mal com a vida. A escolha foi ótima. O chalé era espaçoso, confortável, e tinha aquecedor ambiente e nos lençóis da cama, o ambiente era todo natural por ser afastado do centro, e o café da manhã era super gostoso. Os funcionários eram basicamente um rapaz e uma moça, sempre muito educados e gentis. Com a dona falamos pouco, mas estava sempre preocupada em saber se estava tudo bem e como nos sentíamos lá. E tinha espaço suficiente pra fazer palhaçada, o que é essencial. Foi uma pena não termos tirado mais fotos, como do quarto ou da entrada. Vai ver a gente estava contente demais para pensar a fundo nisso. =)
Vê se pode o nome desse chalé.
Tá na messa, pessoal.



Como chegamos na cidade já depois da meia noite, entrando no dia 17, tivemos sábado inteiro e metade de domingo para curtir. Os passeios a gente tinha buscado, se informado e listado nas semanas anteriores. Sabíamos que queríamos comer fondue, buscar algumas comprinhas de frio, conhecer a área turística principal, mas também alguma coisa mais no sentido aventura, ao invés de colocar um disfarce de Barbie ficar só desfilando pelas ruas. Dessa forma, escolhemos começar o sábado fazendo um passeio de quadriciclo, que durou duas horas e meia e foi *MUITO* divertido, além de ter várias paradinhas gostosas para tirar foto e muito lugar bonito para admirar. Confesso que fiquei com vontade de fazer passeios mais longos da próxima vez, que podem levar até mais de 5 horas. Depois, visitamos um rancho que tem duas tirolesas seguidas, uma de 850 metros e outra de 200, É verdade que não chega nem a um minuto cada descida, mas é outra coisa que vale muito a pena. Por fim, íamos fazer arvorismo nesse mesmo lugar - é  uma caminhada em uma trilha construída com pontos de madeira leve ligando árvores de até 60 metros de altura - mas eu já estava um pouco cansada, e o tempo estava começando a ficar chuvoso. Vai ficar pra próxima vez.




Segura, pião!!


O banho depois foi... problemático. 
Já ela, estava limpinha. ficou na minha  frente o percurso inteiro, também, né.
Tinha também Paintball, mas tem que ir com AQUELA galera, né.
A minha cara de cagaço. Sempre morri de medo de altura.
Gaby tava toda animada, ficar preocupada com a morte iminente pra que, né?
Essa foi uma tentativa de foto do percurso, mas fato que quase um quilômetro de fio não ia ser visível nunca.
Esse era o comecinho da trilha de arvorismo. Faremos um dia, ainda.
Depois de voltar para casa e lavar até a alma, fomos ao encontro do nosso fondue. A melhor coisa que fizemos foi chegar cedo ao restaurante, pois todas as outras mesas estavam reservadas e, quem chegou depois da gente sem marcar, foram todos mandados de volta pra procurar seu próprio recanto. Novamente, os atendentes era gentis e educados, e o fondue era delicioso. Confesso que fiquei com fominha escrevendo esse post. =/ Só não fico com saudade do frio. Ter que se cobrir toda e continuar com um temporizador limitado para ficar fora de 4 paredes é bem problemático pra quem se acostumou com inverno de 20 graus.




No domingo, visitamos o Morro do Elefante usando o teleférico, andamos em uma temperatura mais humana pela cidade, achamos botinhas lindas para comprarmos, e almoçamos no Krokodillo antes de irmos embora. O restaurante, apesar de muito falado na internet, tem uma comida bastante simples, e foi bom como qualquer outro poderia ser. A cidade como um todo é, como sempre dito, muito charmosa e receptiva.

Aspen Mall, no centro turístico.
Cuecão de cou-ro ma-no! A cidade é cheia dessas lojas só de casaco e botas.
A subida do teleférico.




Nhac nhac, modafocka.
 Não, não fomos na Baden Baden. Nem eu nem Gaby gostamos de cerveja. Na verdade, o que eu mais senti falta de ter feito foi um passeio Pedra do Baú. Eu fiquei com um pouco de receio por ser algo alto, por estarmos só nós duas e eu nunca ter feito algo mais aventurazinha assim antes, mas se voltasse lá agora, já iria. Por fim, posso dizer com toda certeza que um passeio desse vale bastante a pena, e descobrir uma cidade nova em um final de semana com uma pessoa que você ama dessa forma é uma sensação insuperável.

É verdade que eu gosto de mostrar minha felicidade e minhas fotos, mas pode ter certeza que essa bíblia toda que eu não escrevi somente por esses motivos. Essas duas pessoas aqui em cima são uma pessoa trans e uma mulher cis, noivas, felizes e apaixonadas, a primeira das quais passou anos e anos sem acreditar que a transição era possível, se a aparência final ia ficar qualquer coisa próxima do desejável, e se um dia amaria e seria amada dessa forma em sua nova figura, e a segunda delas tendo vivido quase três décadas sem conhecer o amor e o companheirismo verdadeiros.

A felicidade é possível, minha gente. É cara, não vou mentir. É trabalhosa. É bastante arriscada. Mas impossível eu lhes prometo que não é.