24 de maio de 2013

Patricia Araujo, prostituição, CRS, e família

- Por Mayra

Em uma reportagem do Ego, uma das mais belas e atraentes trans do Brasil fala um pouco de como sua vida foi, como ela é, e como ela pretende que seja em um futuro próximo.



Prostituta e atriz pornô por anos, ela afirma o óbvio que muitas vezes é negado: essas atividades não trazem a felicidade, objetificam e diminuem a pessoa pondo-a em contato com enorme número de indivíduos que não têm a menor preocupação com seu bem estar e, mais objetivamente falando, é um trabalho de curto prazo. Afinal, é algo exclusivamente lucrativo para as meninas jovens.

Essas são constatações importantes não por sua mera existência, mas pelos ataques externos. Enquanto eu frequentava o fórum sobre transexualidade do BrChan - onde o assunto mais comum era a troca de experiências sobre programas com meninas trans - ficava óbvio o quão nocivos eram os clientes dessas meninas. Chegava-se a afirmar que a trans que não se prostituía era pseudo-moralista, e que essa era "a melhor forma de ganhar a vida". Um discurso degradante sistematicamente construído com um objetivo mercantil: quanto mais meninas se prostituíssem, obviamente, maior variedade para o consumo dos clientes, non?

Veja, eu não tenho nada contra a atração sexual específica pelas trans. Tem gente que gosta de mulher peituda, bunduda, negra, de cabelos longos, de cabelos crespos, alta, baixa. Essas parceiras podem ser escolhidas, a princípio, por características físicas, e essas uniões podem resultar em infindas histórias de amor. O problema é a capitalização da coisa. A atividade sexual lucrativa nos objetifica e descaracteriza como um grupo todo, diminui o estímulo às outras pessoas para que nos respeitem e nos vejam como aptas a ocupar uma vaga formal no mercado de trabalho. Se você já se encontra nessa atividade, porque não usar esse dinheiro - que eu sei ser muito, já conversei com muitas meninas - e faz uma faculdade? Depois presta um concurso público, investe em abrir sua empresa, qualquer coisa.

Voltando à reportagem, Patrícia afirma o desejo de adotar uma menina, se assentar e constituir uma família. Isso tudo, vindo de uma das figuras mais bem cotadas desse mercado, demonstra claramente como não importa quão bem vista você seja dentro da concorrência, a experiência ainda é negativa. Fala também da sua vontade de efetuar a CRS, sonho adiado por ser impeditivo no mercado sexual - afinal, ela perderia todos os seus clientes se a tivesse realizado antes - e de como sabe que a cirurgia não é uma solução mágica para todos os problemas da vida - ilusão que permeia a imaginação trans e pode causar, quando provada errada, profunda depressão e desmotivação.

Fico feliz pela guinada da menina e torço pelo mesmo para a vida de todas as que tiveram de recorrer a essa alternativa. Já havia visto Patrícia em diversos programas de TV e entrevistas, e percebo uma certa mudança na visão sobre a vida, constituída parcialmente de maturação e parcialmente da quebra de uma certa animosidade na personalidade, o surgimento de uma tranquilidade maior.

Que esse crescimento seja possível na vida de todas nós.

Beijos

- Por Mayra