30 de maio de 2013

Contra todas as adversidades

- Por Mayra

Ou "Against all odds", para os anglófonos.

Se você pensa que o lugar onde mora ou o trabalho que exerce não é propício à sua transição e usa isso de desculpa diária para se conformar com seu próprio medo de mudança, leia o depoimento a seguir que recebi pelo Facebook.

Oi Mayra. Todo dia leio o seu blog. Morro de vontade de viver socialmente como mulher. Foi graças a seu blog que me inspirei e vi que tinha como assumir minha condição trans sem aparentar ou ser vulgar. Sim eu via a questão de ser transexual ou ser travestir com preconceito, porém vi que não era exatamente assim e muito daquilo que eu entendia como ser como perversão eu poderia fazer diferente ou fazer demonstrar bom gosto, como você mesma fez pelo o que acompanhei do seu blog.
Trabalho em um presidio, um ambiente totalmente masculino e todos já sabiam da minha condição sexual, porém não sabiam, ou quando sabiam achavam que era brincadeira, da minha condição de gênero. Quando eu afirma que era mulher, embora com aspecto masculino, riam ou achavam que era faze. Mas com o tempo eu fui mudando isso e hoje eu tenho autorização de meus superiores e inclusive admiração. Todos as pessoas do meu setor de trabalho são pessoas extremamente religiosas, porém não fundamentalistas. A religiosidade aqui no Acre é uma realidade, assim como também é uma realidade deles o respeito para comigo, não sei se um respeito velado ou se eu, de certa forma, me posiciono diferente dos demais transexuais e gays.
Pelo menos me sinto respeitada e já vi que eles já mudei muito a visão dele sobre o assunto e me sinto vitoriosa, até pelo fato de trabalhar em um presídio.
Em fim, esse "rasgamento" de seda é mais para te agradecer pela inspiração somente.
Pela foto do perfil você pode perceber que estou de peruca, isso foi numa parada gay ano passado, e minhas fotos de menino estão um pouco desatualizadas. Estou deixando meu cabe,o crescer e estou encontrando dificuldades aqui no Acre para encontrar ajuda especializada. No próprio núcleo do estado fica difícil conseguir informação. Logo vc pode concluir que a internet e colegas travestis e trans tem sido minha unica fonte de informação.
Sou bióloga formada, não exerço a profissão ainda. Entrei em um mestrado aqui na Universidade Federal e não me identifiquei . Atualmente almejo entra na faculdade de medicina e me especializar em psiquiatria.
Não iniciei o tratamento hormonal. Primeiro porque aqui fica difícil encontra gente qualificada, pois todos dizem não tem especialização ou experiencia na área. Por conta própria estou tentando, mas tenho quais conselhos daqui são bons para mim ou não. Contudo o prazo máximo que estipulei para eu inciar é dia 1 de junho.
Já falei de mais. Abraços Mayra.
Pedi à ela que elaborasse um texto mais longo sobre a transição dela e, quando pronto, publicarei-o aqui.

Pense novamente sobre seus obstáculos.

- Por Mayra