10 de fevereiro de 2013

Peixe Fora D'Água

Me apropriando excepcionalmente, mas temporariamente, do papel de "brasileira do contra", daquela pessoa que parece degustar o enaltecimento das fraquezas da nossa nação, me permito por um segundo refletir sobre as condições que essa semana de fevereiro impõe sobre nossa vida.


O Carnaval é, de certa forma, a manifestação física de tudo que há de errado com o nosso povo. Veja bem. Primeiro, faz-se a diversão por tempo prolongado demais, deixando todos os deveres de lado. Segundo, o faz-se sem permitir que aqueles que discordem continuem normalmente com suas vidas, pois as mudanças no trânsito e a super lotação dos transportes públicos torna inviável o simples fato de ir caminhar na Lagoa ou fazer compras no shopping. Terceiro, em seu auge, foca-se todas as atenções em um ponto específico e esquecem-se todos os outros, como fica evidenciado durante os desfiles das escolas de samba, que centraliza a atenção da mídia, da polícia e dos serviços públicos. Quarto, objetifica-se a mulher como o machismo mais característico dentro de nossas fronteiras nacionais, como fica óbvio no controle patriarcal das fazendas às agressões verbais das cidades, fatos quase cotidianos de nossas vidas. Quinto, a ignorância e falta de educação e respeito são tomados como aceitáveis em um cenário de baderna e balburdia "justificáveis", exemplificado nos gritos e pulos daquela prole suja e violenta com a qual nos deparamos durante esses dias, agrupadas em qualquer veículo não privado durante mais de sete dias. Sexto, e para terminar, tudo isso se passa sem a menor preocupação com as consequências e de forma socialmente desigual, já que o lixo, o mijo, o barulho e a destruição são resquícios ignorados responsabilizados nas classes baixas para restauração, principalmente nos garis e funcionários de base que desmontarão todas as estruturas dos blocos e escolas.

Não se engane, eu não penso que algumas centenas de palavras em um endereço da internet vão fazer qualquer diferença nos hábitos enraizados de mais da metade da população do quinto maior Estado do mundo. Mas a dificuldade que estes dias impõe sobre uma simples saída com uma amiga baixinha querida, um lanche com meu mais antigo amigo ou mesmo passeios com minha namorada enseja que, no mínimo, eu me pronuncie contra.

Bom, está feito.

Beijos,
Mayra