13 de fevereiro de 2013

Nua e Crua

Edit 18/02/13: Tendo escrito este post em um dia de grande dor, ele é forte em seu conteúdo e contundente em sua opinião. O relato após o problema ter sido diagnosticado e detalhado, e as possibilidades à frente bem discernidas, está aqui.

Tenho recebido uma onda de curiosidades após a cirurgia. Muita gente perguntando como estou, como estão os seios, como eu tenho me sentido. Na maioria dos casos eu evado as perguntas ou conto uma "mentira branca", como costuma-se dizer. Voltando às raízes deste blog, ao principio maior de transparência  venho hoje responder a todas as perguntas. Mas acho que imagens realmente falam mais do que mil palavras.


2 dias após a cirurgia

1 mês após a cirurgia
Não há muito o que explicar. O procedimento deu errado... e eu vou ter de refazê-lo. Como já se pode constatar na primeira foto e se torna mais óbvio na segunda, o seio esquerdo está mais abaixo que o direito. Até onde eu consigo ver, no entanto, até o seio direito me parece inferior à posição que seria natural. Os mamilos me parecem também exageradamente distantes do centro do corpo.

Entrando em contato com o Doutor Thiago, da FacialTeam, que fez meu implante, estamos discutindo possíveis soluções. No entanto, eu não consigo ir de novo a São Paulo, ficar sem as pessoas que preciso, sem o apoio necessário, sem o conforto da minha casa. Eu não sei nem em quanto tempo eu vou poder refazer essa operação, até a espera até 4 de março, quando está marcado meu retorno para a consulta pós-operatória, me parece no momento uma espera abissal.

Sabe quando tantas de vocês me descrevem a sensação de ódio ao pênis, de vontade de arrancá-lo, da depressão, da raiva, da dificuldade de tomar banho? Eu já afirmei algumas vezes não ter passado por essa sensação, e é verdade. Meu problema era com o todo, com a imagem, com o papel de homem... mas eu nunca tive esse asco ao membro, e por isso mesmo relembro duvidosa a possibilidade de um dia efetuar a vaginoplastia. Pois bem, agora eu sei como é essa sensação. Enquanto os seios permanecem escondidos por trás de um sutiã normal e do cirúrgico, eu consigo viver. Mais ou menos. Tirar essas fotos, me olhar no espelho, tomar banho... é terrível. Traz lágrimas aos olhos, desespero ao coração e uma total falta de força de vontade de fazer qualquer coisa. A vontade é realmente de enfiar uma faca pela cicatriz e arrancar as próteses, que minha pele se incomoda em perceber a presença como um câncer ou uma estaca enfiada por acidente. Tenho pensado em trancar a faculdade esse semestre, não sei. Trabalho, nem pensar. Até sexualmente isso me nulificou. Quem gostaria de se mostrar nua dessa forma, quem se sentiria bem? Havia um ou outro projeto de documentário sobre minha vida em andamento ano passado que certamente serão interrompidos este ano sem expectativa próxima de retorno.

Isso pode parecer bobagem, exagero, não me importa. Acabaram-se as forças. Acabou-se meu ano e fica em pausa minha vida até eu poder ser inteira novamente. Deformada não sei viver. Mas tenho certeza que muit@s d@s leitor@s se identificarão bem com esse tipo de sensação e me perdoarão caso eu me mantenha um pouco afastada deste cenário aqui e do meu público.