4 de fevereiro de 2013

Crônicas Recentes

Levantar, na fila do hospital, em resposta ao grito de "Marcelo Dutra" e reparar os olhares masculinos, defensivamente disfarçados, olhando curiosos de rabo de olho.

Perceber, no retorno à casa, o olhar do taxista sobre suas pernas e jogar, no lixo do carro, a pulseira do hospital com nome e sexo masculinos. O que eu não daria para ver a face do individuo quando se deparou com aquilo?

Tentar tomar um coco na praia e reparar que agora é de lado ou me curvando, pois os peitos não permitem encostá-lo no tronco e beber como antes.


Usar um short hot pants na infelicidade de escolher uma calcinha vermelha, perceber pelas leis naturais da física que a diferença anatômica não permite o short se acomodar na virilha, que a consequência disso é a possibilidade do aparecimento da calcinha e andar o resto do dia como uma geisha para não publicar o ventre.

Percebo que minha imaginação realmente afeta minha personalidade durante uma conversa, sentada, em um banco da praia de Copacabana. Recentemente, tenho escrito a historia de uma personagem telecinética. Durante o percurso de um bate papo, vida real, estendo minha mão em direção a uma garrafa e me surpreendo que ela não flutue em minha direção  "O que deu errado dessa vez?" me pergunto. Então percebo a situação e morro de rir por dentro. De auto-piedade, eu acho.

Por sinal, esta história se encontra nesse outro blog meu. Ela está sendo escrita em inglês e é baseada no universo de Mass Effect, mas para quem domina o idioma, links espalhados pelo comprimento do texto explicam os detalhes específicos deste universo, caso não os conheça. Quem for ler, favor não o fazer de forma profundamente critica. A crônica não possui nenhum fim gerador de renda própria ou diversão alheia... é puro hobbie.

Fica como observação o fato do blog ter completado ontem um ano de idade. Gostaria de deixar registrada aqui minha enorme felicidade das centenas de pessoas que ajudei durante esse tempo, desde as que leram e absorveram informações técnicas ou familiaridade psicológica com a transexualidade, àquelas que me fizeram perguntas simples sobre hormonização e cirurgia até às que eu desenvolvi longos e profundos diálogos da onde, por vezes, surgiu sincera amizade e preocupação. Sonho, com o tempo, formar um centro mais denso e multifuncional de informações, como a lista de profissionais que podem nos ajudar, ainda em estagio de infância mas já existente aqui, ou quem sabe até uma organização registrada e burocratizada para encaminhar aqueles que percorrem nossa estrada por um terreno mais batido, simples e rápido. Quem sabe até o aniversário de dois anos?

Sobre esse assunto, aceito referências de tais profissionais, preferencialmente psicólogos  psiquiatras, endocrinologistas, cirurgiões e advogados com conhecimento de causa, e volto a convidar @s leitor@s a contar suas próprias historias em formato textual, no meu e-mail, para que eu possa por aqui divulgar outros exemplos de transições bem sucedidas. Motivação para os iniciantes nunca é demais, não é mesmo?

Concluindo, eu tenho acompanhado o tópico no /tr, apesar de não poder responder por estar banida até 15 de fevereiro - e as tentativas de mudança de ip terem se demonstrado inúteis. Mas leio e agradeço alguns comentários recentes como os 9605, 9606 e principalmente o 9679. Entendo que posso parecer narcisística por vezes, mas acho que esse tipo de postura se torna determinante de sucesso considerando a quantidade de ataques que transexuais sofrem, no minimo verbais.

Beijos,
Mayra