4 de dezembro de 2012

Uma Imagem Vale...

Futucando minha pasta de documentos, me deparei com algumas imagens que nunca publiquei e... penso ser relevante à minha história por me humanizar de certa forma e, simultaneamente, todas as trans. Vou explicando.





Essas três primeiras imagens são de antes da transição. Bem antes... início de 2010, se não me engano. Lembram o texto da Elisa, que elabora sobre como trocamos palavras e olhares diariamente com pessoas trans na rua sem tomar conhecimento? Pois então. Esse jeito marrento, esse sorriso melancólico, essa seriedade dramática desse rapaz eram as facetas de uma transmulher sem que ninguém ao seu entorno sequer imaginasse isso.

A primeira e a última foram em um passeio a Niterói com um grupo de amigos, enquanto a intermediária intencionava ser uma imagem para currículos, mas nunca foi utilizada.

Das próximas fotos, as três da esquerda são de novembro de 2011, sem hormônios, e as da direita de fevereiro de 2012, completando dois meses tratamento hormonal. Repare como os mamilos começavam a ficar levemente pontudinhos.




Foi dessas fotos que eu fiz aqueles recortes malacabados lááááááá no começo do blog, tentando demonstrar a evolução dos "seios". Notável também é a diminuição das veias nos braços e da amplitude das costas, eu acho. Sim, eu sei que as posições nas quais eu me encontro nas fotos são diferentes, mas eu tinha praticamente uma asa de borbuceta antes. Opa, não podia palavrão. Mea Culpa.

Enfim, o propósito dessa demonstração é, claro, alem de falar da metamorfose sanguinária do que significa cessar os exercícios da parte superior do tronco em conjunto com uma hormonização segura, mas agressiva, mostrar novamente que podemos ser qualquer uma, levando qualquer vida, em qualquer lugar.

Olha la! Travestis não são mulheres que spawnam em pontos e sites de prostituição à noite e depois fazem *puff*! Elas tem casa, banheiro, escova de dente, e podem viver como homem por bastante tempo enquanto seus corpos se transformam! Elas existem de dia, podem cursar uma faculdade, ter parentes, frequentar ocasiões de família, ter namorados ou namoradas... Né. "Gente como a gente".


Esse foi meu status quando eu realmente decidi fazer a transição e já havia marcado minha primeira consulta psicológica.

Traduzindo porcamente, ficaria próximo da seguinte afirmação: "Aquele dia e momento na vida quando se torna finalmente óbvio a estrada óbvia que obviamente temos de caminhar. Eu chamo esse dia de dia do nascimento." Sim, o pleonasmo é proposital.




E para terminar, essas foram tiradas 7 dias após a cirurgia, quando da remoção dos últimos curativos. Parecia uma aquarela de bêbado. Ainda assim, o sorriso ao vislumbrar tamanha diferença no espelho, de forma tão clara, tão gritante, foi inevitável... e um dos mais sinceros e leves que eu havia expressado até então. Abril, isso.