26 de agosto de 2012

Détente

Vamos primeiro aos negócios. Como estou saindo do emprego (e a história equivalente está no final do post), vou voltar a fazer algo que fiz por muito tempo quando era mais nova - consertar computadores e celulares, ou ajudar o cliente a comprar novos. Funciona da seguinte forma:

"Ai, meu computador tá super lerdo, May, como faço pra ele ficar mais rápido?"

Ou então...

"Tava usando um dia, apitou 3 vezes, desligou e não liga mais."

Ou ainda...

"Pô preciso de um celular pra fazer X, Y e Z mas o iPhone tá super caro."

Ou mais!

"Quero montar um pc pro meu filho jogar, quero gastar no máximo X, mas não sei escolher peça."

E ai... tcharan! Eu resolvo o problema. Eu não dou aulas, cursos, não ensino informática - apesar de oferecer dicas e explicações depois de mudar coisas no seu computador, obviamente, mas nada além do necessário. O que eu faço é resolver problemas, seja em programas ou em peças queimadas.

Eu uso computadores desde os 8 anos de idade. Eu abro eles e mexo fisicamente em seu interior desde os 15. Eu uso smartphones extensivamente desde os 22. Então experiência e familiaridade com essas máquinas eu tenho. Se eu não souber de cabeça como resolver algo, pode ter certeza que eu sei onde descobrir.

E os preços?

Para ir em casa e consertar um computador de mesa, ou pegar seu notebook e levar para casa, são R$80,00. Isso inclui problemas recorrentes da coisa que eu fucei. Por exemplo. Se você me da sua máquina falando que seu som parou de funcionar, eu conserto, e 2 dias depois o som pára de novo ou fica distorcido, não vou lhe cobrar para voltar em sua casa ou pegar seu notebook de novo. Eu fui paga pra resolver o problema, não para tentar, então enquanto ele não tiver sido resolvido eu não cumpri minha tarefa. Agora, se você me deu o pc reclamando do som e 2 dias depois tem problemas com a impressora - bom, é um outro problema que necessita de uma nova remuneração.

Se você quiser comprar um computador ou um celular com a minha assistência em escolher as peças, ir junto para comprá-las e montar a maquina depois, o preço é 10% do valor da máquina mais R$70,00 pela montagem. Celular não se monta, então não tem o custo dos 70, e se for um PC todo comprado na mesma loja e montado por ela, também não. Mas se eu for pegar as caixinhas, abrir e colocar tudo no lugar certo e te dar funcionando, ai sim.

E as garantias?

Bom, nesse assunto temos de falar as garantias para aqueles que contratam o serviço.

  • Eu tenho um diplominha do SENAI. Yey!

Mas sério, isso não quer dizer nada. Isso é de 2004. Na época, os slots das placas de vídeo eram AGP, o mouse e teclado eram seriais ou PS-2 (e de bolinha), o monitor era CRT e o dual-core estava começando a ser trazido ao Brasil. Mas se eu conheço esses termos e você não, talvez eu saiba resolver em meia hora aquele probleminha que te espezinhou pelas últimas duas semanas.

  • Eu sou uma pessoa bastante aberta. Meu facebook é publico, meu e-mail está aqui, meu blog aceita comentários  Se eu tivesse o hábito de destruir computadores, não haveria pistas espalhadas pelos meus perfis na internet?
  • Antes de fazer o pagamento, você pode testar a máquina a seu contento até verificar que tudo que deseja está funcionando como deveria.
Eu considero meio obvio, mas vale reiterar. Não. Trabalho. Com. Sexo. Nem com companhia.  Eu deixo seu computador lindo, brilhante, funcionando, perfeito. Mais nada.


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Mas porque disso, afinal?

Recentemente descobri que os seres humanos tem limites e devem, por isso, fazer escolhas. Sua forma finita os limita, de certa forma, requerendo que coisas sejam excluídas para que outras sejam adicionadas. Não estou falando da forma física ou de capacidade muscular. Essas coisas são obviamente limitadas. Mas nós temos um limite de funções, de tempo, de esforço com o qual eu nunca havia esbarrado antes. E agora, ao dar de encontro nessa parede invisível - e devidamente empurra-la e expandir a área contida nela também, sem dúvida - eu preciso abrir mão de um pedacinho meu para continuar vivendo bem.

Para quem tem conhecimentos de historia das relações internacionais, sim, minha vida nesse momento se assemelha ao momento da Guerra Fria citado no titulo. Para aqueles que desconhecem o termo, vai uma breve explicação.

A Guerra Fria foi, de forma simples, uma tensão politica que durou de 1945 à 1991 entre os E.U.A. e a União Soviética. Um chegava na ONU e dizia sim, o outro dizia não. Um queria pão assado, o outro frito. E isso se dava ao fato de que eles estavam tentando agregar países aliados econômicos, e quem ajustava sua economia para se aproximar de um era obrigado a se afastar do outro. Olhando para a coisa de forma trágica, se todos os países do mundo se aliassem a um dos lados, o outro acabaria sendo forçado a mudar o jeito como organizada sua economia - e ninguém queria isso, obviamente. Então um ficava espezinhando a vida do outro o tempo todo.

Até que um dia a Russia tentou instalar misseis nucleares em Cuba para realmente poder, na hora que fosse necessário  mandar os americanos pro espaço. A coisa chegou tão perto de virar uma guerra de verdade - uma guerra que, devido a seu poder destrutivo, poderia ter exterminado a raça humana - que a galera dos dois lados resolveu ficar mais amiguinha só pra não ter que virar churrasco. Esse momento foi chamado de "distensão", ou détente, em francês, porque a tensão entre os dois países foi diminuindo com o tempo. E o francês  na época, era quase tão importante quanto o inglês o é agora, então vários termos que poderiam ser usados em outras línguas, não o eram.

E a analogia com a minha vida é mais ou menos essa. Cheguei a um ponto sufocante de falta de tempo e, por consequência, sai do trabalho na NBT. Bom, vou sair, na verdade, no dia 31.

Dona Beatriz Araujo, que conheci há pouco tempo mas rapidamente se tornou uma amiga importante, me ofereceu essa oportunidade. E por isso sou extremamente grata a ela. Mas junto com o trabalho, assumi diversas outras responsabilidades advindas da transição - uma delas, mas com certeza não a única, é o blog. Além disso, tenho que começar a projetar minha monografia e não encontro tempo nem cabeça para fazer isso estando em um emprego fixo. Já o conserto das máquinas eu posso fazer de forma parcimoniosa: quando tiver tempo, combino de mexer no PC de alguém, quando não, marco mais para frente. E assim a vida continua.

Quero deixar bem claro, no entanto, dona Bia, que você tem a obrigação de não sumir. Fico feliz de ter te dado o empurrãozinho que dei para terminar sua transição e espero ansiosa ver esse processo concluído.

Beijinhos,
MayB