24 de julho de 2012

Sensações

Houve um final de semana, já há bastante tempo, em que eu fiz uma programação interessante que me causou uma série de emoções diferentes e curiosas, e comparti-las-ei aqui com vocês. Comparti-las-ei. Tá certo isso? A língua portuguesa é muito interessante. Enfim, esse post é sobre essa saída: uma noitada fora de casa.

Mais especificamente, uma ida à boite GLS The Week, no centro.


Primeiro, as percepções sobre o local.



A segurança é bronca. Digo, todo o corpo de seguranças do local. Eu imagino que seja algo no sentido de "ossos do ofício", basicamente um requerimento do cargo, advindo da forma como muitas pessoas se utilizam de casas noturnas para extravasar da maneira errada. De um ponto de vista lógico e frio, parece fazer sentido. Entretanto, algo no meu intimo não consegue juntar, com naturalidade, as ideias de "local onde você deve se soltar e relaxar" e "um bando de brutamontes violentos" na figura da mesma localização.

O espaço é bem dividido. Há diversas regiões diferentes, incluindo a pista com os queijos e o palco onde todo mundo fica (devidamente) bem apertado, o local do bar VIP mais tranquilo e mais alto, alguns corredores paralelos e discretos e os banheiros onde ninguém se importa se quem entra é homem, mulher, periquito, papagaio, ou um monte de gente na mesma cabine. Voltando à área VIP (haha, sim) tem muitos sofazinhos gostosos pra quem quer se distanciar um pouco e uma excelente visão superior da pista.

A música é boa. A batida é variada e a iluminação cumpre seu papel de ajudar a levar seu corpo e sua mente a outro plano.

Foi a primeira boate que fui na vida que não fosse pra comemorar o aniversário de ninguém. Sério. Então a mera ideia de me arrumar de forma proposital a me sentir sexy era toda uma nova emoção para mim. Além disso, eu estava me arrumando para ser uma mulher sexy, o que já conflita diretamente com minha zona de conforto até três meses atrás.

No começo, fomos bebendo e conversando eu, uma amiga e mais três aventureiros até uma e meia da manhã esperando a carona de um tio da minha amiga que iria junto conosco. Mais coisas novas. Veja bem: eu não bebia, ponto final. Nada. Não que eu tivesse algo contra em princípio, simplesmente por não gostar do sabor de coisa alcoólica alguma. Bom, já me ensinaram que Contreau é bom. O suficiente para eu ter uma garrafinha agora no meu armário para dar um gole quando bate o stress. Agora me ensinaram que energético com vodka não só dá certo, como fica gostoso. Além disso eu estava acordada, na casa de outrem, me sentindo leve e descontraída, à uma da manha. Isso pode parecer "procedimento padrão" para muita gente, mas eu só ia na casa de qualquer pessoa se eu a conhecesse bem, durante o dia, para fazer algo objetivo como jogar videogame ou pegar algo que ficou lá. A toa, batendo papo, de madrugada e gostando? Muita novidade. Muita.

Chegamos na The Week. Constatação óbvia: o público é 80% composto de homens gays. Uau, hein, novidade. Sei lá, pra quem não sabe vale informar, né... iuaheiuhaiueae. Há também uma pequena porcentagem de mulheres lésbicas (e algumas gassimas por sinal) e alguns casais héteros. Bom, hora da confissão vergonhosa: até a última vez que chequei, ver dois homens se beijando me incomodava bastante. Não, não pergunte. Como uma trans pode não achar isso normal? Não sei. Sério. Não faz o menor sentido. Mas! Foi ai que essa noite me agradou. Eu vi dezenas - não, centenas - de homens explorando sua sensualidade ao exibir seu corpo, ao dançar, ao compartilhar de seus lábios, pescoços, mãos e outras partes do corpo, desde formas românticas até as explicitamente sexuais, e eu... não senti absolutamente nada de negativo. Nada. Eu juro que busquei emoções, repreensivas, homofóbicas em meu íntimo... e minha busca resultou completamente inútil. Eu fiquei extremamente surpresa comigo pois aquilo não me incomodou de forma alguma.

Para não dizer que não senti absolutamente nada e, portanto, me configuro um android, eu lembro de três palavras que me vieram à mente: A primeira é "curiosidade". Eu ficava olhando ininterruptamente para alguns casais, principalmente os fisicamente bonitos. Eu olhava sem vergonha. Aliais, aquele é um ambiente sem vergonha, no sentido positivo da palavra. Chega a ser impactante o quanto não se precisa ter vergonha ali. A segunda foi "beleza". A beleza física de algumas pessoa ali era chocante. Tanto mulheres quanto homens. Combinada à sensualidade do local e de suas roupas, é uma experiencia bastante atraente. De uma segunda forma, havia a beleza da liberdade positivamente excessiva, da libertinagem expressiva, emotiva. Havia pessoas que você via em seus olhos que se amavam - e, se em outros lugares precisariam se guardar, ali podiam deixar seus sentimentos fluírem. A terceira é "vontade". O ambiente como um todo lhe enche de vontades, de desejos, de  necessidades quase mandatórias que você tem, ali mesmo, total liberdade de satisfazer. Quase como uma experiência viciante. E, no meu caso, o despertar dessas vontades nem foi exclusividade feminina. Realmente, essa fase é uma fase de contínua descoberta pessoal. Não acho que esta terminará tão cedo.

Beijos,

MayB