22 de abril de 2012

Palavras... (Amorosas)

Bom gente, ha pouquíssimo tempo eu postei aqui um e-mail... eu não diria de ódio, mas de incompreensão, de estranheza, e de ofensa. E pior, de uma pessoa muito próxima. Hoje venho mostrar o exato oposto: o carinho, o afeto e a compreensão de uma pessoa da qual eu estava distante. André Sena é um professor que admiro muitíssimo. Por mim considerado, sem dúvidas, da mais alta capacidade. Algo que posso dizer com certa convicção pois apesar de ter somente 23 anos já fiz cursos pré-vestibular e pré-concurso público e duas faculdades, a metade de filosofia na UERJ (nunca falei isso né?) e agora essa Relações Internacionais que estou terminando. Ele também é ferrenho defensor da causa LGBT.

"Mayra,

Ontem vi você "ao vivo" pela primeira vez de noite naquele sinistro evento do **** *******. Queria ter falado com você ao fim de tudo mas vocês quase todos já tinham ido embora. Acabei de ver teu endereço de e-mail no Blog e decidi escrever.

Confesso que tenho me sentido muito impactado com o teu processo por diversas razões. E confesso também que chega ser egoísta da minha parte dizer isso, porque você é que está passando pelo olho do furacão, e penso que deve ser algo que misture diversão, fascínio diante dessa nova realidade, com milhares de outros sentimentos.

Eu conversava com um professor amigo meu, cujo nome não desejo mencionar, nesta manhã sobre você. Isso ocorreu, porque na noite anterior eu perguntava ao meu marido a razão de eu estar tão mexido; e cheguei a conclusão que estou assim porque de alguma maneira você faz parte da minha vida. Alguma instância você ocupou e ocupa.

Quando você ainda era Marcelo (desculpe se te ofendo falando assim) eu nutria por você dois sentimentos muito interessantes: uma admiração pela atenção e receptividade às minhas aulas (o que eu entendia como sendo um certo reconhecimento teu pelo meu trabalho de professor) e uma outra admiração pela tua beleza física; admiração grega de efebo apenas, porque sempre achei o Marcelo muito bonito e não tenho porque não dizer isso.

Mas não sei se você se recorda, nós nos aborrecemos em uma discussão boba no Facebook, em virtude de um "frenemy" meu chamado ****** *****, acerca de uma questão da qual sequer me recordo, mas em virtude da minha falta de posicionamento você declarou ser a minha atitude "uma vergonha como professor!" ,me excluiu, e nossa relação (que já era muito branda) se interrompeu.

Algumas semanas antes de eu ser comunicado pelos meus superiores na UNESA do teu processo de mudanças e de que você solicitava ser chamado doravante pelo seu nome social, me lembro que o perfil do Marcelo tentou duas vezes me adicionar no "face". O mesmo Marcelo que outrora me bloqueara e que passava pelos corredores da UNESA sem sequer me cumprimentar.

Como não sabia ainda da chegada de Mayra Viamonte recusei o convite de readição, achando tratar-se do Marcelo. Uma semana depois fui comunicado institucionalmente da tua "trans-parência". Entendi então que era Mayra Viamonte que me readicionava mas era tarde demais pois eu já havia recusado.

Olhei teu blog, escrevi, te desejando sucesso e felicidade em tudo, apesar de estar absolutamente chocado com a notícia da chegada de Mayra. Explico:

É que eu sou uma pessoa extremamente controladora e nunca havia percebido qualquer traço "trans-parente" em você. E quando a Mayra apareceu é como se eu estivesse perdido o controle dos meus matemáticos conceitos e julgamentos sobre tudo e sobre todos.

Bela lição me dava Mayra; o que não significa que eu a tenha aprendido a vontade, ao contrário: perder o controle sobre a realidade (o que por si só já é uma grande ilusão de nossa parte porque nada é "dual") é um processo dolorido. Mayra chegou e me confundiu por inteiro.

Mas tudo o que vivi e vivo, valores que defendi, e defendo, lutas que travei e travo, me catapultam imediatamente para o lado de Mayra Viamonte, cheio de afeto, emoção e vontade de comunicação. Ou seja; tudo isso para te dizer: quero te ver nos corredores da UNESA e te falar, e trocar idéias, rir, e talvez (não se surpreenda!) até chorar de emoção diante da complexidade que é simplesmente estar vivo.

Decidi escrever este e-mail depois de ler um outro, de ataque familiar, que você publicou em teu blog.

Nos veremos nos corredores da UNESA Mayra.

E nos falaremos: se eu hesitar, me ajude vencer e falar, embora eu honestamente duvide que hesite.

Um beijo carinhoso,
André Sena."

Acho que não preciso dizer o quão emocionada fiquei ao ler isso. Apesar disso, como expliquei pra ele no meu e-mail resposta, não fiquei tão surpresa. Afinal agora temos causas bastante próximas, defendida por ambos com bastante convicção: mesmo que no caso dele em um histórico muito mais longo e diversificado, com protestos, enunciações públicas e outros campos de batalha, agora é a mesma causa que tenho como princípio ideológico de vida: espalhar a aceitação das minorias. No meu caso, tento fazer isso através da familiaridade que permito às pessoas terem comigo através do blog, através da trans.parencia da minha vida.

Enfim... a conclusão é: o importante é quem esta próximo de você em mente e coração, não na árvore genealógica. Pode coincidir? Claro. Tenho apoio de vários parentes no que faço atualmente. Mas não é regra necessária.

Beijos,
MayB