28 de abril de 2012

Erro Crítico

Vestido! Gente, super estranhei. Como Marcelo eu nunca nem saía de bermuda ou short na rua, só calças. Entao a mera visão dos meus joelhos em público já foi algo assim... inovador, mas compreensivel. Olhar para o fim desse desenho e ver duas sapatilhas delicadas até hoje é uma surpresa pra mim. Metade do meu cérebro ainda nao processa direito, a outra metade reage como se eu já tivesse visto aquilo durante décadas. Muitas vezes eu sinto, na verdade, como se houvesse duas almas dentro do meu corpo, duas mentes. Enfim... Mas o mais curioso do vestido, e isso seria novidade pra qualquer um que não fosse escocês, é a ideia de sentir ventinho nas partes baixas. Sério, o que é isso?! Na hora que eu sai do quarto o menino já gritou "tá frio May, tá frio!!" IUEHIUahuieHEAIUe. Eu tive que por duas calcinhas pra me sentir confortavel hoje, juro. Depois disso, tudo certo.




Na rua levei horas infindas pra me sentir confortável. Saí de casa hoje às oito e meia da manha. Parei de ficar preocupada com o vestido às quatro da tarde. Depois disso, no entanto, me senti a pessoa mais confiante do mundo, como se o vestido (que tem o tecido um pouco grosso, o que é ótimo), fosse uma fortaleza, e dentro dela eu fosse imune.

O assalto foi uma piada. Usei esse nome só pra vocês ficarem curiosas mesmo. Foi assim: estava no ônibus quase vazio voltando para casa, quase nove horas da noite, ouvindo música calmamente no meu fone de ouvido. O banco que estava era um daqueles altos, logo antes da porta traseira de saída (sim, no Rio saímos por trás, eu sei que é diferente em algumas regiões). De repente surge um negão de mais ou menos 1,85 e da cor do abismo enfiando a mão na blusa, por trás do banco, falando de um jeito 'baixo alto': "To armado porra, to armado porra, passa tudo, passa tudo". Olhei pra ele uns três segundos até decidir que era ladrão de galinha. Calmamente, repousei meu fone no meu ombro, assentei o celular no banco e me levantei. Eu estava com aquele vestido branco que vocês viram há uns dias, com aquela sapatilha rosada, toda maquiada. Coloquei cada mão em um ferro de cada lado do corredor, bloqueando a passagem dele para a frente do ônibus, e relaxei todos os músculos da garganta. Sabe o treinamento de voz que fazemos para termos vozes femininas? Desmontei-o por completo imediatamente. E com a minha voz original, mais rouca que um gorila em época de acasalamento, falei: "Tu tá achando que ta falando com quem, mermão?! Ta maluco?!". Hah. Cara. O negao ficou meio amarronado, depois azul, no fim cinza. Ele quase ficou branco. Quase. "Tu vai descer é nesse ponto agora, mermão." Puxei a corda de sinal, mas o ônibus passava por um viaduto e levou mais ou menos vinte segundos até parar no proximo ponto. Todos os vinte segundos o negão ficou falando "Po, não, foi mal ae, desculpa, vou descer, vou descer, foi mal." E no ponto, lá se foi ele.

Ao chegar em casa desci do ônibus de que jeito, não? Rebolando confiantemente, cantando com minha voz perfeitamente afinada de novo e consciente de que o importante nessa vida é saber utilizar ao máximo todas as características que possuímos. Marcelo não morreu. Ele está aqui, é parte de mim. Se constitui metade de minha alma. E se precisar, minha gente... vai sentar na cadeira de comandante e atropelar o que vier pela frente.


Ah sim, um post script aqui. Um dos lugares que fui hoje foi no arpoador, e gostaria de lembrar a quem mora no Rio que é um lugar delicioso para simplesmente sentar, admirar a vista e ficar juntinho de alguém que você gosta. Além disso, em homenagem às meninas que vieram me contar, DEPOIS DA TRANSIÇÃO, que me achavam um gatinho antes, duas fotinhas que tirei em 2010 no mesmo lugar. Sofram. Mas cliquem nas fotos para verem elas maiores e sofrerem mais.



Beijinhos, e espero ter posto uns sorrisos no rosto de algumas de vocês com as minhas trapalhadas.

MayB