20 de março de 2012

Mais Fotos, Resolução de Problemas e Material Externo

Vamos começar com o menos pessoal. Uma outra t-girl que eu acompanho o blog, Giselle Vuitton, postou o vídeo a seguir e eu achei interessante. Trata sobre a questão da mudança legal de nome nos documentos, e leva uns poucos minutos. Meu único comentário pessoal sobre esse vídeo é o seguinte: eu realmente espero firmemente que eu consiga fazer um trabalho muito melhor de adaptação da voz do que a trans que aparece no vídeo.


Segundo, as fotos, que muita gente tem curiosidade de ver. Como prometido, chegou o fim de mais um mês de HRT e, portanto, cabe comparações para analisar o desenvolvimento dos seios.





Para comparação, aqui estão as ultimas fotos. Na verdade não tem um mês de diferença, já que foram feitas dia 01, mas enfim... daqui pra frente vai ser de 30 em 30 dias.



Eu acho enorme a diferença, principalmente considerando o intervalo de somente 20 dias. Na verdade cresceu bem mais rápido do que eu esperava... eu achei que não ia precisar disfarçar os seios de forma nenhuma, mas acontece de eu ter que sair de casa com duas blusas, pois eles já balançam sob a roupa com meus passos, caso eu use só uma. Mesmo assim, reparo olhares estranhos em situações específicas, como em certas máquinas da academia, ou em pé no onibus. O lado bom disso, claro, é que quando chegar o meio de abril e eu começar minha vida feminina, eles vão estar em um tamanho aceitável, pelo menos para o sutiã não ficar completamente vazio, né.

E siiim... eu sei que ainda tenho o braço musculoso. Nada - veja bem, nada - comparado com o que era antes, mas ainda assim maior que 90% das mulheres. E eu não sei bem como interpreto isso. Eu sei que se eu deixar vai tudo embora mesmo, mas... será que eu quero? Essa situação vou reavaliar com maior cuidado depois da transição, sendo julgada pelos olhares alheios, analisada como mulher, e perguntando a amigos próximos. O parâmetro é o seguinte: eu quero ser o mais forte que eu puder sem sair dos padrões femininos. Nunca quis ser uma menininha frágil e sempre admirei mulheres autossuficientes... como uma ou outra história de uma lutadora que se protege sozinha de um assalto. Ou vai ver eu só estou tendo um pouco de dificuldade em abandonar o papel de homem protetor que eu tinha antes, que eu sempre tive, com todas as mulheres que estiveram na minha vida, para passar a ser o lado receptor do cuidado.

Por último, contarei um draminha passado hoje. Um dos exames que eu necessitava para a cirurgia era um raio-x bastante específico da face. Na verdade, dois, duas imagens diferentes. E eu tinha conseguido marcar, lá no começo do mês, só para hoje, dia 20. Ou seja... três semanas esperando. E era as 8 da manha do outro lado da cidade, mas do lado da casa da minha namorada. O que eu fiz? Sai daqui ontem de madrugada, pois estudo à noite, e fui dormir lá para poder chegar na hora.

Depois de chegar no hospital marcado, entregar o pedido, documentos e esperar uma meia hora, me sai o operador da maquina de raio-x dizendo que eles nao podiam fazer aquele exame ali, eles não tinham a máquina necessária. Acompanhe minha linha de raciocinio: quando marquei esse exame, precisei esperar 20 dias para realizá-lo. Teria que remarcar. A cirurgia é daqui a 9 dias. A minha conclusão poderia ser complexa e sublime, mas se resumiu em uma palavra: "fudeu". Eu tentei não soltar os cachorros no rapaz, afinal, realmente a culpa não era dele. Mas saí de lá transtornada.

Bom, peguei o carro e comecei a voltar para casa, um percurso que no horário de pico da manhã leva pelo menos uma hora e meia. Liguei para minha menina para contar a história. E ela perguntou se eu liguei para o plano pra ver se tinha outro lugar que fizesse. Foi o empurrão que eu precisava. No trânsito mesmo eu acessei sites no celular, liguei para telefones, escrevi, digitei, anotei, e consegui marcar para hoje mesmo às 13:30. E, claro, quase bati o carro umas 500x de la até aqui em casa. E a imagem, depois de fazer o exame, foi impressa na hora. E pronto, todos os exames foram realizados. Estou, medicinalmente, completamente preparada.

Bom, é isso... a vida de uma trans não é fácil. Inclui decisões, gastos, adaptabilidade e responsabilidades muito pesados para uma pessoa "normal" de 20 anos. Mas eu estou em um astral muito bom, vendo tudo isso como aulas exaustivas mas interessantes e instrutivas. E sei que, quando acabar essa historia, para melhor ou pior, serei uma sobrevivente e uma guerreira. E, quem sabe, finalmente me verei como adulta.