14 de fevereiro de 2012

O Brado Perturbante

26/01/12

Estamos ficando famosas, não? Ariadna no BBB, documentários (horríveis) em tv aberta e agora uma personagem em uma série de horário porn... *cof* semi-nobre. Eu não assisti a série, mas me senti obrigada pelo menos a ver pela internet a cena da conversa com o pai, e vou comentá-la.

O ator fez seu papel de forma prima. As emoções foram muito bem expressas e as falas muito bem ditas. Ele não fez nada de errado... mas a globo fez. A cena foi razoavelmente bem escrita e a situação é muito realista. Mas "detesto bichisse"? Que isso, uma trans homofóbica? Que desgraça é essa?

Eu achei legal a globo querer também ensinar às pessoas que identidade sexual e sexualidade são coisas desconexas (Alow? Entendeu né?) E dizer, como o pai da menina disse, "Não bastava se relacionar com homem, tinha que virar mulher?", além de uma ofensa, é uma demonstração ridícula de ignorância, mas é algo que eu já ouvi também (Alow de novo? Quem falou qualquer coisa de homem? Sai pra lá). Mas criar uma personagem que, ao invés de ser lésbica (faria mais sentido), não tem vida sexual, não é uma boa forma de ensinar isso, não é um reflexo da realidade (a maioria de nós faz sexo muito bem, obrigada) e ainda dificulta a compreensão das pessoas sobre como pensamos.

De qualquer forma, foi um passo. E foi primordial que o ator fosse um homem (podia ser uma t-girl também, só não uma ciswoman, como é na maioria das vezes). Obrigada pela intenção, Globo.